Sobre trolls e cabeças de bagre no Facebook

O zagueiro de Facebook é um marcador implacável. Marca por zona, percorrendo os perfis de gente que pensa diferente dele, e marca também homem-a-homem, escolhendo atacantes do time adversário e fungando no cangote deles.

Gabriel Priolli

Assim começa o artigo do Gabriel Priolli, um dos amigos mais apaixonados por política que eu tenho, jornalista brilhante e petista por ideologia, que jamais  privou da intimidade do poder nem  prevaricou. Sou fã do texto dele, inteligente, lúcido e, como todo apaixonado, às vezes fora da (minha, claro) razão.  Sou contra esse governo que está aí, ele é a favor. E daí?

Leia porque você vai gostar e porque a “trolagem” no Facebook é uma praga que afeta a todos, à esquerda e à direita. Ou não, se você for um desses zagueiros tranca-rua ou trolls de quem ele fala.

Eu tenho uma meia dúzia de trolls que insistem em trolar meus amigos na minha timeline, quando não a mim mesmo. Afinal, como se sentem amigos, acham que podem cobrar qualquer coisa, exigir posições iguais às dele(a) e cometer toda sorte de atropelos, quando não agressões descabidas. Patrulham descaradamente!


 

Cabeças de bagre : por Gabriel Priolli

O zagueiro de Facebook, como bom zagueiro, é especialista em destruição. Trabalha para cortar na raiz a jogada, quando algum post suscita polêmica. Debater é para os fracos, ele acredita. Para canelas de vidro.

Sua ideia é reafirmar o que pensa, marcar posição, jamais se colocar em dúvida. Ao mesmo tempo, negar legitimidade ao oponente. Negar ética, honestidade, inteligência, informação, negar tudo nele.

Por isso mesmo, o zagueiro de Facebook não tem o menor problema em baixar o cacete, sentar o pé, ofender, meter dedo no olho. Ele é ótimo nisso e acha que democracia se exerce assim, na catimba e na porrada.

O zagueiro de Facebook não sabe sair para o jogo. Em geral, é incapaz de um passe de qualidade ou de um lançamento em profundidade. Ignora o que seja uma colocação propositiva, uma contribuição ao debate.

Chega junto para ironizar, desqualificar, ofender, humilhar, destruir. A terra da promissão, para ele, é o deserto de ideias.

O zagueiro do Facebook às vezes sobe para o ataque, mas é pouco produtivo. É ruim de cabeça, finaliza muito mal. Raramente consegue cabecear no gol, até porque posta muito pouco, trolla mais o post alheio. Mas bola fora, ele dá o tempo todo. Nisso, é especialista.

O zagueiro de Facebook é um perna de pau grosseiro e pretensioso, que faz o jogo democrático mais violento, e muito mais feio de disputar e de assistir. Cartão vermelho para essa triste criatura.

Ah, você tem problemas com essa cor? Use então o cartão azul, ou verde-amarelo, como preferir. Mas vamos tirar esse estorvo de campo. A convivência dos atletas vai melhorar enormemente e o jogo vai fluir muito melhor.

(Inspirado na minha timeline e na de muitos amigos, como Vera Aldrighi)


 

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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