‘The New York Times’ defende a legalização da maconha

Editorial ousado do prestigioso jornal  inaugura uma série de artigos e reportagens advogando o fim das leis federais de proibição da maconha no Estados Unidos: “High Time: An Editorial Series on Marijuana Legalization”.

Mais de vinte estados já liberaram o uso medicinal, sendo que dois deles, Colorado e Washington, permitem o uso recreativo.

Louvável a coragem de O Globo, Valor, Folha e UOL dando a notícia, que o jornal O Estado de São Paulo não deu. Claro, mais cedo ou mais tarde, o Estadão não poderá se furtar a dar essa notícia, mas é nítido o dedo conservador nessa omissão.

Artigo do jornal Valor .

Clique para ler a página original (Folhapress).

Com uma série de editoriais que começou a ser publicada neste domingo em sua versão impressa, o jornal “New York Times” assumiu a defesa da legalização da maconha pelo governo federal — um importante marco no debate nacional sobre o tema. O jornal se torna o maior do país a assumir tal posição.

“O governo federal deve revogar a proibição à maconha”, crava o editorial. O “NY Times” reconhece que “não há respostas perfeitas às preocupações legítimas da população sobre o uso da maconha”. “Mas também não há essas respostas sobre o tabaco ou o álcool, e nós acreditamos que, em todos os aspectos — efeitos para a saúde, impacto na sociedade e temas de ordem pública — a balança pende para o lado da legalização nacional”, defende o jornal.

Com isso, o “NY Times” observa, as decisões sobre permitir a produção e o uso para fins medicinais ou recreativos se darão no nível correto: o estadual.

Segundo o texto, a posição do jornal foi tomada “depois de uma grande discussão entre os membros do conselho editorial do “NY Times”, inspirado num movimento que vem se expandindo rapidamente entre os Estados por reformas das leis sobre maconha”.

Quase três quartos dos 50 Estados americanos (34 e mais o Distrito de Columbia) já adotaram alguma mudança sobre o uso e a produção. O mais recente foi Nova York, que liberou, no último mês, a produção e o uso medicinal sob estritas regras.

Para o “NY Times”, as evidências de que a dependência é um problema relativamente menor, especialmente se comparado ao álcool e ao tabaco, são “esmagadoras”. O jornal chama de “fantasiosos” os argumentos de que a maconha é uma porta de entrada para drogas mais perigosas.

“O uso moderado da maconha não parece colocar em risco adultos saudáveis”, afirma o jornal, que destaca defender a proibição do uso para menores de 21 anos.

Lei seca

O “Times” compara a proibição federal da maconha com os 13 anos da Lei Seca nos EUA (1920-1933), em que “as pessoas continuaram bebendo” e a criminalidade cresceu. “Foram 13 anos até que os EUA caíssem em si e acabassem com a Lei Seca. (…) Já são mais de 40 anos, desde que o Congresso aprovou a proibição da maconha, prejudicando a sociedade ao proibir uma substância tão menos perigosa que o álcool.”

O jornal usa números do FBI (polícia federal) para mostrar os “altos custos sociais” das leis federais sobre maconha: 658 mil prisões por posse de maconha em 2012, contra 256 mil por uso de cocaína, heroína e derivados. “Para piorar, o resultado é racista, atingindo de forma desproporcional jovens negros, arruinando suas vidas e criando novas gerações de criminosos de carreira”, diz o texto.

Série de editoriais

Em seu site, o “NY Times” anuncia que a “série” de seis editoriais sobre a maconha será publicada até 5 de agosto, e abordará os aspectos criminais, históricos, de saúde e regulamentação.

No primeiro, publicado neste domingo, o jornal defende: “Deixe que os Estados decidam sobre a maconha”. Para isso, seria necessária uma ação federal “inequívoca”.

Segundo o jornal, o plano mais abrangente seria a lei introduzida no ano passado pelo deputado democrata Jared Polis, do Colorado, que propõe retirar a maconha da Lei sobre Substâncias Controladas, de 1970, que estabelece os parâmetros e as punições sobre o uso e o comércio de drogas em todo o país.

Por esta lei, a maconha é classificada hoje como uma substância de “escala 1”, a categoria mais pesada, que inclui heroína, LSD e ecstasy.

Outra alternativa seria o projeto “não tão efetivo” do deputado republicano Dana Rohrabacher, da Califórnia, que não retira a maconha da “escala 1”, mas proíbe a aplicação de penas previstas na Lei sobre Substâncias Controladas contra alguém que esteja cumprindo leis estaduais.

“O Congresso claramente não está pronto para passar nenhuma das duas, mas há sinais de que a maré está mudando”, diz o autor do texto, David Firestone, que chefia os editoriais do jornal.

“Enquanto espera o Congresso avançar, o presidente Obama, que já foi um usuário regular de maconha, poderia agir. Ele poderia ordenar que o Departamento de Justiça conduza estudos necessários para apoiar a retirada da maconha da escala 1”, defende Firestone.

Editorial do New York Times.

Repeal Prohibition, Again
By The Editorial Board

It took 13 years for the United States to come to its senses and end Prohibition, 13 years in which people kept drinking, otherwise law-abiding citizens became criminals and crime syndicates arose and flourished. It has been more than 40 years since Congress passed the current ban on marijuana, inflicting great harm on society just to prohibit a substance far less dangerous than alcohol.

The federal government should repeal the ban on marijuana.

We reached that conclusion after a great deal of discussion among the members of The Times’s Editorial Board, inspired by a rapidly growing movement among the states to reform marijuana laws.

There are no perfect answers to people’s legitimate concerns about marijuana use. But neither are there such answers about tobacco or alcohol, and we believe that on every level — health effects, the impact on society and law-and-order issues — the balance falls squarely on the side of national legalization. That will put decisions on whether to allow recreational or medicinal production and use where it belongs — at the state level.

We considered whether it would be best for Washington to hold back while the states continued experimenting with legalizing medicinal uses of marijuana, reducing penalties, or even simply legalizing all use. Nearly three-quarters of the states have done one of these.

But that would leave their citizens vulnerable to the whims of whoever happens to be in the White House and chooses to enforce or not enforce the federal law.

The social costs of the marijuana laws are vast. There were 658,000 arrests for marijuana possession in 2012, according to F.B.I. figures, compared with 256,000 for cocaine, heroin and their derivatives. Even worse, the result is racist, falling disproportionately on young black men, ruining their lives and creating new generations of career criminals.

There is honest debate among scientists about the health effects of marijuana, but we believe that the evidence is overwhelming that addiction and dependence are relatively minor problems, especially compared with alcohol and tobacco. Moderate use of marijuana does not appear to pose a risk for otherwise healthy adults. Claims that marijuana is a gateway to more dangerous drugs are as fanciful as the “Reefer Madness” images of murder, rape and suicide.

There are legitimate concerns about marijuana on the development of adolescent brains. For that reason, we advocate the prohibition of sales to people under 21.

Creating systems for regulating manufacture, sale and marketing will be complex. But those problems are solvable, and would have long been dealt with had we as a nation not clung to the decision to make marijuana production and use a federal crime.

In coming days, we will publish articles by members of the Editorial Board and supplementary material that will examine these questions. We invite readers to offer their ideas, and we will report back on their responses, pro and con.

We recognize that this Congress is as unlikely to take action on marijuana as it has been on other big issues. But it is long past time to repeal this version of Prohibition.

 

Finalmente, clique aqui para ler a primeira reportagem da série, publicada um dia antes no New York Times: “Let States Decide on Marijuana”.

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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