A prostituta e o rapaz virgem

Este curta-metragem é um paradoxo. Abraça a causa da valorização da água, mas ignora uma questão polêmica e dela se serve para promover a sua. Isso pode?

Ao mesmo tempo que alerta sobre a falta d’água no futuro, usa a prática controversa da prostituição para valorizar a água. Mas… antes de continuar lendo, assista o filme.

Meu ponto é que a prostituição, na Índia como no Brasil e talvez em toda parte, alimenta-se da pobreza das moças nas zonas rurais, nas periferias e nas entranhas das cidades. Mais do que da pobreza dos rapazes, embora dessa também se alimente.

thefilmSó uma visão permissiva e machista consideraria normal a metáfora de pagar a prostituição feminina no futuro com um bem tão valioso como a água. Prostituição masculina, nem pensar. Mas que fosse. Seria normal? Também não, penso eu.

Mas, isto posto, sem moralismos ou preconceitos, esse curta-metragem, dirigido por Vicky Khandpur, teve repercussão favorável na Índia. O conceito e o roteiro foram premiados em várias instâncias. Eu não gosto.

Uma curiosidade da ficha técnica é que o filme inteiro foi rodado em apenas cinco horas, incluindo os ensaios. O ator e a atriz não se conheciam e se encontraram apenas no set de filmagem. Talvez por isso estejam tão bem no papel de dois estranhos. Tem um toque amador intencional, tipo… direção de estudante de cinema.

Destacou-se em circuitos alternativos, como o Short Film Festival 2011 de Bollywood e o UTV World Movies Contest 2011.

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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