Os “beacons” vão revolucionar o varejo?

Um doce para quem souber o que são os “beacons“. Eu também não sabia e fui pesquisar. Não, não tem nada a ver com bacon.

Para começo de conversa, em inglês beacon quer dizer “facho” ou “feixe” ou “sinal” ou “baliza”. Tem a ver com localização. Por exemplo, é o feixe de sinais de rádio que orienta os aviadores indicando a posição, ou o facho de luz que sinaliza o local de um farol nos rochedos.

Outra expressão inglesa associada é “mobile geo-fencing“, que seria traduzível em português para algo como “cercamento geográfico móvel”. É a tecnologia de envio de mensagens para smartphones que adentram uma área geográfica pré-definida. Ou seja, se você entra em uma loja, um restaurante, uma praça ou mesmo um bairro determinado, recebe uma mensagem de texto por meio de um aplicativo.

Sim, estamos falando de mobile marketing e, neste caso, na capacidade do varejista de enviar mensagens para o celular de um cliente que se acerque da loja. Por exemplo, notificações de ofertas especiais,  lembretes para usar o cartão-fidelidade, anúncio de cupons de presente etc., enviados na hora certa, para o cliente certo, no lugar certo.

A foto acima mostra um exemplo de cliente sendo notificado de uma oferta especial, ao entrar na loja, e consta do artigo “How small Bluetooth Beacons can make a big impact on your Business“, publicado no blog El Passión.

Apesar do crescente espaço na mídia e do interesse enorme do varejo, a tecnologia dos beacons está apenas começando. Baseia-se no protocolo BLE (Bluetooth 4.0) e depende de transmissores de baixo consumo de energia para funcionar ininterruptamente. Esses transmissores não precisam ser emparelhados aos smartphones com os quais ficam em permanente comunicação, dentro de uma determinada distância (de 50 a 80 metros, mais ou menos).

Beacons transmitem mensagens aos clientes com a missão de melhorar a experiência de compra. Usam o Bluetooth para detectar a presença próxima de smartphones e enviar-lhes informações. Também podem servir como sistemas para coletar dados dos clientes no ponto-de-venda, por exemplo, mapeando como se locomovem no espaço da loja.

Quem está apostando nessa é o PayPal, que já lançou um sistema proprietário de compra e pagamento. Veja o vídeo abaixo e clique aqui para saber mais.

A Apple também acaba de inaugurar um sistema proprietário, a que chama de iBeacon. Instalou-o em todas as suas lojas nos EUA, cujos visitantes podem receber mensagens e informações sobre os produtos conforme se movimentem de uma seção para outra.

Há um ebook grátis na livraria da Apple que explica “iBeacons”. Clique aqui. O Google também está explorando esse território. Clique aqui.

Será que os beacons vão dar certo? Afinal, todos temos aversão à propaganda móvel, isto é, receber mensagens publicitárias invasivas nos smartphones.

Esse é o maior desafio, fazer os clientes embarcarem no sistema. Para que um varejista use o beacon, o cliente tem que baixar o aplicativo, acioná-lo quando entrar ou se aproximar da loja e deixar o Bluetooth ligado. É muita coisa junto. Talvez dê certo com clientes fiéis.

Acho que tudo dependerá de provar sua utilidade, melhorar a experiência de compra e não atrapalhar a gente. Quantas vezes não fico perdido dentro de um grande supermercado sem saber em que corredor achar o que procuro? Se receber orientação sobre isso vou gostar.

Veja a seguir uma apresentação em Slideshare comparando o sistema PayPal vs Apple.

2 Comments

  1. Gustavo Barbosa

    11/08/2014

    Tá, tudo bem, é interessante e pode ser útil, mas me dá paúra por lembrar aquelas cenas do Minority Report, informações publicitárias pipocando em nossa retina à medida que andamos por uma rua, e (não por mera coincidência) a retina servindo também para identificar transgressores de um sistema extremamente opressivo. Do Google Glass à retina como tela, a distância é curta. Os beacons até podem desembocar em boas aplicações, mas no caminho atual tudo indica uma hipnose coletiva de hordas de consumidores fascinados pela tecnologia que os mantêm curtindo prazeres virtuais num delirante cativeiro. Tou fora; será que estou mesmo?

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    • Jurandir Craveiro

      11/08/2014

      Gus, propaganda invasiva é ruim de todo jeito: no comercial do break na TV, no popup da página web, nas notificações no celular… Por enquanto o sistema beacon dependerá da liberação do cliente. Mais do que isso, como disse na matéria, ele tem que baixar o aplicativo, acioná-lo, ligar o bluetooth e aí sim, poderá ser notificado. Portanto, se as pessoas quiserem nada acontece. Mas o fantasma do consumismo desenfreado, estimulado, paira sobre nós 🙂

      Reply

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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