Sabe como chama o cheiro da chuva?

Petricor! Eu não sabia, pouquíssima gente sabe. No entanto, é um dos cheiros mais queridos da humanidade. É gostoso, associado a sensações de prazer e bem estar, em todas as culturas, todos os povos e rincões da Terra.

A palavra petrichor  foi cunhada em inglês, em 1964, pelos pesquisadores da agência nacional de ciências da Australia, CSIRO  – Commonwealth Scientific and Industrial Research OrganisationVem do grego petra (pedra) e ichor, que na mitologia era o sangue etéreo dos deuses.

Ainda não consta dos dicionários. Mas já pode ser encontrada na internet em português também, às vezes igual ao inglês petrichor, e às vezes como “petricor”, que julgo ser a forma mais adequada.

Alguns pesquisadores acreditam que o afeto por esse cheiro é uma herança atávica da humanidade, que desde sempre dependeu da chegada das chuvas para sobreviver.

Petricor é o cheiro que fica no ar depois que a chuva começa a cair sobre o solo seco, o cheiro da terra molhada, o cheiro do orvalho. No único lugar do mundo onde já havia sido caracterizado antes, na Índia, era chamado de “perfume da terra”.

Depois que foi descrito pelos australianos, não faltaram ideias para o lançamento de um perfume Petrichor de verdade. Que eu saiba não foi para frente.

Na verdade, os cientistas descobriram que o cheiro resulta de um misto de óleos e aerosóis emanados de argilas e outros compostos de solos e rochas, que são absorvidos e aspergidos no ar pelas primeiras gotas de chuva, caindo sobre uma superfície seca e porosa.

É um aroma complexo e difícil de ser descrito. Pode ter cerca de 50 compostos químicos distintos. E, às vezes, ao se espalhar, se vier de um chão contaminado, pode vir acompanhado de bactérias e vírus perigosos. Nem o cheiro da chuva é perfeito.

No vídeo abaixo, cientistas do MIT  –   Massachusetts Institute of Technology  –  conseguiram filmar em alta velocidade o fenômeno de formação do petricor, registrando o que acontece quando uma gota atinge um solo seco e poroso.

Clique na barra cinza para expandir, ver o vídeo e, se preciso, ler a tradução:

O fenômeno de formação do petricor - MIT


Pe-tri-cor (substantivo): um cheiro que frequentemente acompanha a primeira chuva depois de um longo período de tempo quente e seco.

Quem primeiro descreveu o fenômeno do petricor foram os cientistas australianos.

Porém, até agora, os mecanismos de dispersão do cheiro no ar eram desconhecidos.

Cientistas do MIT acreditam que identificaram os mecanismos que dispersam esse aroma e diversos outros aerosóis no ambiente.

Usando câmeras de alta-velocidade, os pesquisadores observaram que uma gota de chuva, ao atingir uma superfície porosa, captura pequenas bolhas de ar no momento do impacto.

As bolhas então são catapultadas para cima, ascendendo a partir da gota, como efervescência de aerosóis.

A equipe conseguiu predizer a quantidade de aerosóis aspergidos, com base na velocidade da gota de chuva e na permeabilidade da superfície.

No ambiente natural, os pesquisadores suspeitam que os aerosóis carreguem elementos aromáticos. Mas também lhes atribuem o transporte pelo ar de bactérias e vírus, alojados no solo.

Podem soltar-se com uma chuva leve ou moderada e espalhar-se com o  vento.

Essa pesquisa ajuda a explicar como a chuva pode espalhar doenças, como a da E. Coli, através do ambiente e até para os seres humanos.

 


Fontes: EarthSky “What is the smell of rain?“; CSIRO Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation; Pesquisas CSIRO Nature of Argillaceous Odour e Petrichor and Plant Growth; Imagens TheDoctorWho07,  Carlos E. Lang e Charming Rachel

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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