O aquecimento global não é balela

No hemisfério norte, fora dos trópicos, nos quatro continentes, o verão bate todos os recordes de calor. Em São Paulo, o inverno está mais seco e quente do que nunca.

No começo da semana, o Japão atingiu temperaturas recordes na casa dos 40ºC, jamais vistas antes. O mesmo ocorreu nas duas Coréias.

No norte da Escandinávia, nas proximidades do Circulo Ártico, a temperatura passou dos 32ºC, algo inimaginável em pleno território das geleiras.

Em junho os incêndios se espalharam pela Suécia, que precisou recrutar auxílio internacional para combatê-los.

Na Grécia, idem, os incêndios florestais já mataram dezenas de pessoas nos últimos dias, nas proximidades de Atenas (Globo: “Incêndio já é considerado o pior a atingir o país em mais de uma década”).

O site da CNN informa (“Summer of extreme tempeatures“) que até o deserto do Saara, no Norte da África, palco habitual de altas temperaturas, bateu seu próprio recorde no dia 5 de julho, na localidade de Ouargla, na Argélia. O termómetro chegou a 51,3ºC, a maior temperatura já registrada no continente africano, segundo a Organização Meteorológica Mundial da ONU

Até agora o verão tem sido também o mais seco de todos os tempos no Reino Unido, informa o  Met Office do governo britânico. Na América do Norte, no Canadá, a cidade de Montreal quebrou o recorde de temperatura elevada no começo de Julho (36,6ºC) e Quebec teve mais de 70 mortes por causa das sucessivas ondas de calor.

Nos Estados Unidos, Dallas teve quatro dias seguidos com temperaturas inéditas de 42ºC a  43ºC. De norte a sul do país, outras 41 grandes cidades norte-americanas bateram seus respectivos recordes históricos de calor.

Confirma-se mais uma vez que a mudança climática veio para ficar e seus efeitos são cada dia mais evidentes. Há efeitos inclusive imprevistos: a CNN noticiou o resultado de um estudo afirmando que a taxa de suicídio tende a aumentar com as altas temperaturas. Quanto mais quente o verão, mais alto o risco de suicidio: “Climate change study ties warming temperatures to rising suicide risk“.

Com a intensificação das ondas de calor, será que teremos em todo o planeta epidemias de suicídio?

Enquanto isso, o Brasil contribui para o suicídio coletivo da humanidade, permitindo que as florestas remanescentes sejam arrasadas para favorecer a expansão do agronegócio e da mineração.

Se o desmatamento da Amazônia e do Cerrado seguir aumentando como nos últimos anos, o Brasil estará ajudando a implantar a mudança climática, conforme comentou Exame recentemente: “Brasil corre risco de não cumprir meta contra aquecimento global“.

Na mesma ótica, informou também a Rede Brasil Atual que o “Brasil precisaria reduzir desmatamento em 43% em dois anos para cumprir acordo“.

O Instituto Socioambiental (ISA) divulgou nesta semana que, em seis meses, 100 milhões de árvores foram derrubadas no Xingu: “avanço da agropecuária, garimpo ilegal, grilagem de terras e roubo de madeira provocaram o desmatamento de 70 mil hectares na Bacia do Xingu”.

A menos que haja uma mudança radical na políticas públicas do Estado brasileiro, mais radical até que a mudança climática ora em curso, será difícil conter o desmatamento movido pelo interesse de poderosos grupos econômicos, nacionais e internacionais.

Esta é uma questão crucial na próxima eleição. Em todos os níveis e para todos os cargos, no legislativo e no executivo, é preciso votar em candidatos comprometidos com o combate ao desmatamento e à mudança climática, e com a defesa dos povos da floresta.

Desmatamento no interior da Floresta Estadual do Rio Iriri, no Pará| Foto Juan Doblas-ISA

 

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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