Uma campanha contra a conservação socioexcludente

‘Parques Precisam de Povos’ denuncia a expulsão de milhões de indígenas de suas terras ancestrais em nome da conservação ambiental e da preservação das terras de  wilderness ou “reservas selvagens”.

A campanha é da Survival International, um movimento globa em defesa dos direitos dos povos indígenas. Estão implicadas grandes organizações conservacionistas, por conivência ou omissão, como a  buy viagra online canada paypal WWF e The Nature Conservancy. Baixe em pdf o relatório Parks need people.

Survival explica os principais pontos desse terrível drama, expondo o que chama de “o lado negro da conservação.” A divulgação do relatório coincide com o World Parks Congress  –  “Congresso Mundial dos Parques”  – evento organizado a cada dez anos pela International Union for the Protection of Nature que atualmente ocorre em Sydney, Australia.

Antecede o lançamento de United For Wildlife nos EUA – Unidos pelas Reservas Selvagens  –  uma estrela nas relações públicas da coroa britânica, alimentada por The Royal Foundation of The Duke and Duchess of Cambridge and Prince Harris e outras importantes organizações não-governamentais, como a Conservation International.

O modelo de conservação predominante hoje nasceu com o Wilderness Actno século 19, nos Estados Unidos. Foi responsável por uma notável ampliação das reservas naturais através de parques como o Yellowstone e Yosemite, mundialmente admirados (sobre isso, leia meu post anterior “A Lei da Reserva Selvagem“).

No entanto, o lado perverso da moeda, agora denunciado, é que esse modelo levou à exclusão cruel de tribos nativas inteiras, jogadas para fora das suas terras ancestrais pela lei conservacionista arrogante dos brancos.

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Namíbia – Foto Lucarelli Temistocle – Shutterstock.com

Ninguém sabe cuidar melhor do ambiente do que os povos indígenas, diz o relatório, concluindo que o modelo mundial de conservação precisa de uma reforma radical:

“A conservação deve aderir ao direito internacional, proteger os direitos dos povos indígenas às suas terras, perguntar-lhes que ajuda precisam para a proteção de suas terras, ouví-los e, em seguida, estar preparada para apoiá-los, tanto quanto puder.”

A expulsão brutal dos povos indígenas das suas terras prossegue, a título da criação de reservas selvagens, “intocadas pelo homem” (descontando os turistas e até caçadores ou pescadores que podem desfrutá-las, pagando altas taxas, inacessíveis aos nativos).

A Kalahari bushman

“Kalahari bushman” – Photo Michele Westmorland – Getty Images – The Guardian

É o que está ocorrendo em muitos lugares na África e Oceania, como descreve The Guardian neste artigo: “How the Kalahari bushmen and other tribespeople are being evicted to make way for ‘wilderness’.”

O que quer dizer wilderness? Terra selvagem desprovida da presença humana? O conceito não se sustenta. Todo lugar do planeta é ou foi o lar de alguma tribo ancestral. Se não está mais lá, é porque o branco ou matou ou desalojou violentamente seus habitantes.

A exclusão assume outra forma no Brasil, onde os índios são desalojados por conta do “progresso”, isto é, da febre irracional do desenvolvimento a qualquer preço, que implanta as necessárias (e as desnecessárias) hidrelétricas, por exemplo. sem o devido respeito e cuidado com as populações locais.

Tudo se explica pelo desmatamento, a exploração ilegal da madeira, a expansão predatória do agronegócio e da mineração, a destruição de biomas como o cerrado, a Mata Atlântica e a Amazônia, a especulação fundiária e as grandes obras do PAC, que se fazem ao arrepio das leis de proteção ao ambiente e às salvaguardas que deveriam resguardar os direitos das populações nativas.

 

 

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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