Louca, louca propaganda da Kenzo by Spike Jonze

Não é de hoje que diretores de cinema enveredam pela filmagem publicitária com resultados brilhantes e fora da norma. Mas o Spike Jonze leva a taça com este anúncio alucinante para a marca de perfume japonesa, Kenzo.

Mais do que nunca, a publicidade cada vez mais se assemelha à entrega de conteúdo cinematográfico. Não é uma novidade, mas aqui alcança uma profundidade e uma expressividade admiráveis.

Outros diretores no passado fizeram algo assim: David Fincher (Smoking Fetus, American Cancer Society), David Lynch (Playstation), Wes Anderson (Prada’s Castello Cavalcanti), Michael Gondry (Gillette Training Tracks), Spike Lee (Nike commercials), Ridley Scott (1984 Apple’s Macintosh) e o próprio Spike Jonze (Lamp, IKEA) são apenas os expoentes desse movimento.

Nesse comercial da Kenzo World Fragrance por Spike Jonze, com quase 4 minutos de duração, uma jovem socialaite, interpretada pela linda atriz Margaret Qualley (The Leftovers), foge de um salão esnobe onde alguém faz um discurso chato e, do lado de fora, sózinha, tem um acesso de loucura explícita, manifesta em uma coreografia insólita, errática e vigorosa.

Chega a ser hipnótico, uma espécie de encantamento que nos impede de desgrudar os olhos da explosão corporal expressiva, catártica, apaixonante da jovem de Kenzo.packaging

Pois é disso que se trata: a representação cinematogrática da paixão feminina, uma forma poderosa, incontrolável e insana de paixão que atinge o seu ápice através do movimento e da música.

Fico imaginando o brief criativo nas mãos do planejador: explícitamente apontar o poder e o perigo da paixão feminina como forma de se diferenciar das outras marcas de perfume que, invariavelmente, também enfocam as várias facetas da paixão que pode dominar uma mulher.

Há outras possibilidades, levantadas por amigos. André Pinho acha que é mais ‘porque sim’ do que isso que eu escrevi acima. O Diego Dumont disse que vê “uma autocrítica à indústria de perfumes e sua fórmula de comunicar com um tom de glamour exagerado, caras, bocas, cabelos molhados e slow motion. Essa estética proposital de bagunça do quase certo ou arrumação da quase bagunça te deixa vidrado aguardando o próximo descompasso.” A Carla Purcino entende ser o filme “um grito de liberdade diante das convenções, a auto expressão e manutenção do eu. Se a liberdade for, como é, apaixonante, lá no encontramos, de todas as maneiras.” E o Bruno Quinteiro talvez esteja totalmente certo: “Acho que isso nem caiu na mão de planejamento. Deve ter ido pro Spike direto hahaha.”

Ou ainda, como disse Amanda Hameline ao blog No Film School, uma coreógrafa importante de Nova Iorque:

“I love watching the combination of excitement, violence, and insanity” – Amo ver a combinação de excitamento, violência e insanidade.

A música é “Mutant Brain” de Sam Siegel, irmão do Jonze, e Ape Drums. Ouça-a no Spotify e veja a página da campanha aqui. A dica é da Sophie Schonburg, diretora de criação da McgarryBowen Brasil.

kenzo

 

 

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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