Conversa eleitoral entre amigos III

Insisto, será possível debater política, candidatos e partidos, sem apelar, sem ofender, sem baixar o nível, respeitando as divergências?

Meu amigo André Galhardo e eu desencadeamos um ping-pong que, felizmente não se estendeu nem descambou, mas é um bom exemplo de como a divergência corre sempre o risco de virar um estopim da discórdia.

Depois que eu assinalei no Facebook que era engraçado a Marina ser acusada de ser despreparada, inculta, que fala mal etc. por admiradores do Lula que foi sempre exatamente acusado do mesmo, o Andre mandou ver na crítica a ela.

Será que a Marina está preparada? (André)

Sobre o Lula, uma diferença é que ele soube liderar e estruturar um partido e depois vencer uma eleição na 4ª tentativa. Marina parece não ter conseguido administrar nem a fundação de seu partido (e chorou dizendo que o governo “trabalhou contra”, sei lá como, se o TSE não é governo).

Outra diferença é que o Lula disse que realmente não estava preparado para ser presidente nas eleições anteriores. Seu discurso radical mostrava isso (votei no Covas em 89). Ele foi eleito na hora certa.

A pergunta é: será que a Marina está preparada? Me parece que não. Vejo grande chance de virar um Cavalo de Tróia para a turma que já governou o Brasil voltar ao poder, com todo apoio da mídia. Não desejo isso.

Tucanos atônitos x petistas nervosos (Jura)

Depois que o avião caiu na cabeça do Aécio, os tucanos se calaram e estão atônitos sem saber o que fazer. Mas engraçado mesmo é o nervosismo governista atual, de morrer de rir, por causa de uma candidata, supostamente, incompetente messiânica conservadora despreparada que fala difícil. Pra que se preocupar?

Agora o que eu gostaria mesmo é que meus amigos pró-marina parassem de usar meu post para debater com meus amigos anti-marina na minha timeline. Claro, democraticamente podem me ignorar.

Defender políticas do governo não nos torna petistas. (André)

A defesa de uma política de governo como bolsa família, mais médicos nos torna “petistas”. Uma crítica ao governo condena qualquer um a carregar a tag de tucano neoliberal.

Agora basta apontar algumas contradições no discurso de Marina, passamos rapidamente ao grupo dos anti-marina. Difícil conversar sobre política, o jeito é aguardar a entrevista ao William Bonner.

Troco, então, "petista" por "governista". (Jura)

Perfeito, me desculpo, pode trocar “petista” por “governista”. De fato, você não deve ter lido, anteriormente, as críticas de que compartilho sobre a Marina. [Repito] aqui o que eu admito sobre o conservadorismo e os riscos dela tornar posições pessoais em políticas de Estado.

Primeiro, não acho que a gente tenha que concordar e ter absolutamente 100% de posições iguais a quem a gente queira eleger na próxima eleição. Aliás, quem pensa exatamente igual em tudo, com qual candidato?

Segundo, temo o lado evangélico da Marina menos do que temo a corrente estalinista estatista do PT ou a corrente Opus Dei alkiminista do PSDB paulista – com a diferença que a Marina é a favor do Estado Laico e assumiu o compromisso de zelar por isso. Já essas outras correntes, quero crer, minoritárias, fazem e farão de tudo (eu disse, tudo) para tornar-se majoritárias sob as vistas grossas dos seus respectivos capos.

Tenho gente muito próxima na família que é homossexual e é feliz. Se a Marina tornar sua crença de evangélica contra a homossexualidade em política do Estado, vou me decepcionar e abandoná-la sem pestanejar.

Mas ela já deixou claro que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Posições pessoais, não políticas de Estado. Ela tem todo o direito de ter a fé que quiser. Você ou quem quiser, de ser ateu, e isto não o faz comedor de carne de criança, como os comunistas de outrora.

Tenho outro parente próximo que professa uma fé apocalíptica, ou seja, vive esperando o fim do mundo. O que eu vou fazer? Respeitá-lo como crente e cobrar que não venha me catequizar porque eu não creio nisso.

 

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS e do Grupo de Planejamento de São Paulo. Ex- Presidente e atual consultor do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Saiba mais
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