O efeito do 13 de agosto é claro: o avião despencou sobre Aécio Neves

Conversa eleitoral entre amigos I

A leitura do artigo de Josias de Souza, “Opção do PSB por Marina não será automática”, suscitou um debate interessante entre meus amigos.

Particularmente, a seguinte passagem foi o estopim para a reflexão que reproduzo abaixo (clique aqui para ler o artigo inteiro).

Blog do Josias:

Mas o cacique socialista raciocinou em voz alta para o repórter:

Suponha que aceitássemos todas as condições de Marina, disse. Imagine que investíssemos nela recursos financeiros e energia política. Daqui a pouco, ela funda a Rede, pega tudo e vai embora. O PSB ficará com o quê? Nada! Nesse contexto, prossegue o líder socialista, talvez seja melhor lançarmos um nome nosso. Dificilmente deixaríamos de ter algo como 7% ou 8% dos votos.

GP:

Essa conversa do “cacique socialista” faz pouco sentido. Ou já é estratégia de negociação de posições na campanha e no eventual governo. Nenhum partido político despreza a chance de chegar ao poder, em troca de uma participação protocolar na eleição, com uma expectativa altamente otimista de obter somente 8%.

Marina tem tudo para galvanizar as forças anti-Dilma, à direita e à esquerda. Tem um perfil pessoal bem próximo ao de Lula, muito mais povo do que Aécio, cada vez mais explícito como playboy do patrimonialismo. Se tiver habilidade, ela chega ao segundo turno e pode levar a eleição. Será apertado, mas tem chance real. Sem Marina, o PSB fará o que? Lançará qualquer outro candidato, seguirá sozinho e despontará para a insignificância? Fechará com Dilma, depois de ter se aproximado tanto dos tucanos? Arriscará fechar com Aécio, que estreita as próprias chances de vencer?

Qualquer alternativa é pior para o PSB do que seguir com Marina. É claro que ela vai montar a Rede e seguir vida própria no futuro. Mas o PSB estará no governo com ela, como partido central da coligação. Perguntem ao PMDB se isso é mau negócio.

Brian:

Qualquer alternativa é pior para o PSB do que seguir com Marina, disse você. Concordo. Os 8% pertenciam muito mais ao Eduardo do que ao PSB.

Com Zé Ninguém na cabeça e Marina vice, mal-humorada (se é que fique na chapa) o destino do PSB seria a irrelevância, pelo menos nesse pleito. Mas não acredito que Marina (na cabeça) vá para o segundo turno.

O PSB com Marina-Zé vai perder muito do apoio empresarial que estava se aglutinando em torno de Eduardo-Marina. Ela certamente sobe o suficiente para forçar o segundo turno, mas será entre Dilma e Aécio.

Chutando, vejo ela entre 15%-20%, Aécio com 25-30%, Dilma 35%

GP:

Marina tem muito mais chance de disputa real nesta eleição do que Eduardo tinha. Essa circunstância atrai o financiamento.

Marina pode ser a candidata perfeita para o voto conservador. Ela própria é, em larga medida, conservadora nos costumes, sendo evangélica. É de esquerda ultra-light, que não remete ao socialismo; já nem se nota mais sua origem petista. Está cercada de economistas liberais, monetaristas, e de empresários com aura de modernos (Guilherme Leal, Neca Setúbal). É uma “terceira via” bastante confiável.

Isso faz dela uma opção muito melhor do que Aécio, que tem fidelidade ao 1%, mas pouca empatia com os 99%. E que não consegue deslanchar nas intenções de voto, mesmo com o grande capital e toda a mídia apoiando. Sua fragilidade já é evidente. Qualquer eleitor pouco instruído já percebeu que é um pastel de vento.

Resumindo, se Marina for candidata, terá certamente índices melhores do que o de Eduardo, logo na saída. Deve encostar em Aécio, ou quase, logo na primeira sondagem.

A partir daí, dependerá da campanha que ela fizer. Se continuar subindo, terá grana, sem problemas. E muito mais chance de chegar o segundo turno, porque agrega votos da esquerda desiludida com o PT, dos ainda indefinidos e dos sonháticos de todo tipo.

Na minha modesta opinião, o efeito do 13 de agosto é claro: o avião despencou sobre Aécio Neves.

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS e do Grupo de Planejamento de São Paulo. Ex- Presidente e atual consultor do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Saiba mais
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