O que fizeram com os bisões

Havia 50 milhões de bisões quando os europeus chegaram na América do Norte, no século XVI. Por volta de 1880, contavam-se apenas alguns milhares de remanescentes, abrigados por fazendeiros que perceberam a extinção iminente dos rebanhos.

Sabe-se que os povos indígenas caçavam anualmente muitos animais, como fonte de alimentação, vestuário, moradia, utensílios etc., porém, dentro de limites sustentáveis.

Alfred Jacob Miller

Por isso mesmo, pela importância estratégica do bisão no modo de vida indígena, no início do século XIX, o exército americano promoveu a dizimação deliberada dos rebanhos dos quais dependiam certas tribos. É um capítulo vergonhoso da história militar dos Estados Unidos (veja “American Indian Wars”).

 

A grande matança

Foi apenas o começo da grande matança. O branco passou a explorar os insumos do bisão da maneira capitalista mais selvagem e insustentável possível. Milhões e milhões de bisões foram implacavelmente caçados e mortos até quase a extinção.

À frente, vinham os caçadores a cavalo com armas de fogo cada vez mais potentes e precisas, cobiçando a valiosa pele do bisão. A indústria do couro no leste dos Estados Unidos e na Europa, particularmente na Alemanha, pagava muito bem.

A carne era outro comércio atraente, uma iguaria naquela época. Ficavam para trás apenas as carcaças. Os colonos, que ocupavam as terras onde os rebanhos eram abatidos, aproveitaram os ossos para criar outro elo da cadeia econômica.

Durante dezenas de anos, os ossos do bisão serviram para o refino do açucar e o fabrico de fertilizantes e de porcelana chinesa. Até que acabaram.

Outro motivo para o abate brutal: as estradas de ferro contratavam caçadores para liberar os trilhos e alimentar as turmas de trabalhadores que as construíam. Os passageiros recebiam armas para atirar indiscriminadamente das janelas do trem.

Sabe quantas cabeças de bisão tem na foto?

Dificlmente se saberá ao certo, mas, levando em conta o volume dos crânios e o tamanho da pilha,  calculam-se 180,000 mil cabeças nessa foto

Um general norte-americano disse que os caçadores de bisão “fizeram mais para derrotar os índios em poucos anos do que os soldados em 50 anos de guerra” (veja o documentário do  PBS “American Buffalo: Spirit of a Nation“).


 
 

BuffaloPile

Graças ao esforço de voluntários, organizações não-governamentais e orgãos federais, o bisão hoje está à salvo da extinção. Existe cerca de meio milhão deles em reservas privadas e 30.000 soltos em estado selvagem, em terras da União.

Fontes: Wikipedia, HistoricalPhotos, RareHistoricalPhotosPBS “American Buffalo: Spirit of a Nation“, Defenders of Wildlife.

Gif animado por Waugsberg a partir de fotos de Eadweard Muybridge (Creative Commons)

Foto: Imagem do Agricultural Research Service

American_bison

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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