A Dança Apache

O submundo violento da bandidagem parisiense na Belle Époque inspirou essa dança famosa e preconceituosa, que expressava o mais ignóbil machismo.

apacheBela e chocante, talvez seja a forma de bailar mais políticamente incorreta da história.

No entanto, durante mais de meio século, influenciou a arte e a moda, a literatura e o cinema. Apareceu em centenas de filmes dramáticos, policiais, cômicos e musicais.

Não confundí-la com o tango, que bebeu com certeza na mesma fonte, mas rejeitou o seu lado bandido, privilegiando a boemia e o drama.

O nome veio obviamente dos índios Apache, estigmatizados como ‘selvagens’ cruéis e foras-da-lei nos Estados Unidos. A mídia francesa adotou-o para se referir às gangues do bas-fond parisiense e daí se popularizou, no começo do século XX.

Apache-POSTERA dança Apache encenava uma ‘discussão’ violenta entre um gigolô e uma prostituta.

No vídeo acima (1934), considerado um clássico da British Path Film Collection, a dupla de bailarinos, Alexis and Dorrano, protagoniza as agressões de uma briga típica em um boteco parisiense.

A força física do homem prevalece e ele termina por dominá-la após um ‘combate’ no qual ela é literalmente nocauteada.

É curioso lembrar que, em City Lights – “Luzes da Ribalta”,  Charles Chaplin vê uma dança Apache e não resiste ao impulso de intervir para salvar a mulher ameaçada.

Da mesma forma, no desenho animado do Popeye, The Dance Contest (1934), a dança Apache aparece, primeiro entre Brutus e Olivia e, depois, entre o brutamontes e o marinheiro que intervem para mostrar-lhe o que é bom para a tosse.

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Planejador de marca e comunicação. Fundador da agência NBS. Vice-Presidente do Grupo de Planejamento. Presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental. Fotógrafo amador, blogueiro e pescador idem. Saiba mais
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